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                                    36Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 33-58, jan./jun. 2025Igualdade e Fraternidade, já encerram uma imperturbável dimensão social, expressa principalmente nos ideais de igualdade e fraternidade.Outrossim, esse fato reflete apenas o profundo caráter popular da revolução que, conhecida como revolução burguesa e dirigida por intelectuais urbanos, foi, de fato, realizada pelas camadas mais populares e empobrecidas da França.A DIMENSÃO SOCIALDois fenômenos sociais, o aparecimento do movimento sindical e a luta abolicionista no contexto do colonialismo e da revolução industrial, podem ser considerados os marcos da afirmação da idéia que descortina toda a dimensão social da dignidade humana, estando na gênese do surgimento dos direitos econômicos, sociais e culturais.O movimento abolicionista foi fundamental na formação da consciência socialhumanitária da Europa marcada pelo individualismo liberal do iluminismo triunfante.O argumento central dos abolicionistas ingleses foi o tema humanitário. No entanto, as repercussões econômicas, a marinha mercante inglesa, a questão colonial se mesclaram nesse movimento que durou décadas, e que ainda existe, perdurando por mais de um século. Ele deu origem à ONG promotora de direitos humanos, Anti-slavory Internacional, a mais antiga do mundo, fundada há mais de cem anos, ainda no século XIX.Os primeiros documentos que denunciaram o tráfico negreiro o fizeram descrevendo, além da brutalidade dos mestres, as longas jornadas de trabalho, os períodos ínfimos de descanso, a dieta pobre e as condições de vida infra-humanas.2 A nutrição adequada, a limitação da jornada, o descanso e as condições de vida, todos se tornaram muitas décadas mais tarde direitos humanos fundamentais de conteúdo econômico-social.Os antiabolicionistas apelaram aos argumentos nacionalistas (que a França se apropriaria do imensamente lucrativo tráfico negreiro se os ingleses o abandonassem); e aos argumentos economicistas como a rentabilidade do comércio negreiro que traria bem-estar para a Inglaterra. Apelaram inclusive para a defesa da escravidão como parte da ordem natural, com citações 2 PINFOLD, John. We are all brethren, Oxford Today, volume 19, N. 2, Hillary Term, 2007, p. 13. Em 1788 o reverendo Thomas Clarkson publicou o primeiro livro denunciando o tráfico negreiro e a escravidão nas colônias inglesas; Substance of the Evidence of Sundry persons on the Slave Trade.
                                
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