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38Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 33-58, jan./jun. 2025invenções transformou a indústria da tecelagem e da fiação. Os teares são reformulados em 1785 (o tear de Cartwright), 1813 com a máquina de tecer automática e em 1852 (máquina de fiar automática). Em 1785, Watt inventa a máquina a vapor que permite a instalação de fábricas nas cidades e não apenas ao lado de cursos d’água que forneciam a energia necessária.Por volta do ano de 1815 surge o movimento luddista, que identifica nas máquinas a fonte de todos os males.5 O movimento se expandiu e a destruição de máquinas ou sabotagem6 passou a ser punido com a morte, o que provocou inúmeras execuções.O movimento dá origem à polêmica sobre as razões da situação social dos operários: se o problema estaria nas máquinas, ou nas condições sociais em que essas eram usadas. Durante a rebelião operária de Lyon em 1831, por exemplo, levanta-se o lema “viver trabalhando ou morrer combatendo”. Portanto as extenuantes jornadas de trabalho, de 16 ou mais horas vigentes durante esse período, são denunciadas como desumanas e injustas.A idéia de considerar injustas as condições sociais que atingiam grandes populações era algo novo, a idéia de justiça estava ligada aos direitos individuais. A liga dos justos, uma sociedade da época, inovou ao incorporar à luta social a idéia de justiça.As mesmas idéias se encontram nos escritos dos socialistas utópicos, SaintSimon, Fourier e Owen, que também haviam fixado sua atenção na “classe mais numerosa e mais deserdada7”. O último foi um empresário que inovou ao criar a primeira fábrica onde havia direitos sociais em New Lamark, na Escócia, em plena revolução industrial. No âmbito das correntes que abraçaram o marxismo a partir de 1848, quando foi publicado o Manifesto Comunista, a questão dos direitos sociais atravessou o debate sobre reforma ou revolução durante dois séculos. No entanto, a crítica moral às condições de vida dos operários durante a revolução industrial, inegavelmente, inspirou a concepção dos direitos econômicos, sociais e culturais. A literatura realista, principalmente francesa e inglesa desse período, reflete essa inquietação moral com a pobreza, vê-se refletida em obras mestras como Germinal e Os Miseráveis de Emile Zola e Victor Hugo, respectivamente, ou nos livros de Charles Dikens.5 Ibid, p. 16. 6 Da palavra francesa, Sabot - tamanco. A prática consistia em cravar um tamanco para interromper o movimento das cremalheiras nos teares mecânicos. 7 Ibid, p. 52.

