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                                    Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 281-679, jan./jun. 2025462tenha a testemunha explicado o porquê da briga entre os dois funcionários (a parte reclamante teria dado uma ordem a Isaías e este não gostou, iniciando a briga), esse fato específico (ordem) não foi presenciado por ela, mas sim relatado pela parte autora, no outro dia.A testemunha Clodomiro, ao revés, disse que viu a parte reclamante empurrar a pessoa motorista, mas não presenciou o teor da discussão, tampouco quem iniciou a briga. Já a testemunha Isaías, com quem teria a parte reclamante travado a discussão, contou que “André se intrometeu na conversa e “tomou as dores” e agrediu a parte depoente, dando-lhe um empurrão e proferindo palavras de baixo calão e “ainda me chamou de macaco”; que “isso aí eu relevei e deixei pra lá, entendeu?”; que estavam conversando no pátio, a parte depoente e outros motoristas; que André saiu do escritório e se intrometeu na conversa; que “ele chegou, me empurrou, falou comigo, ‘fela da puta’, quem é esse macaco preto pra falar com ele que eu tinha que lavar a boca, entendeu?”.Em que pese a argumentação da parte reclamante acerca dos fatos, reputo que agiu com acerto o juízo de origem ao ratificar a justa causa aplicada.Por mais que se possa afirmar que de fato existia uma animosidade entre a parte reclamante e os demais motoristas (porque não aceitavam as ordens repassadas por André), não se pode ignorar o teor das agressões sofridas por Isaías, independentemente de ter sido ele quem iniciou a discussão ou mesmo se houve o contato físico ou não. Somente as agressões verbais desferidas pela parte reclamante já justificam a justa causa, ao chamar a pessoa motorista de “macaco”.Tal fato não pode e nem deve ser ignorado por esta Relatora.Importante observar que não procedem as alegações recursais de que “não merece crédito qualquer fala (da testemunha Isaías) no sentido de querer desqualificar o reclamante”, ao argumento de que a testemunha foi contraditória, pois não teria relatado, durante a sindicância, ter sofrido preconceito racial.Isto porque o depoimento não é contraditório com o que foi relatado no documento de Id. d267219, já que a vítima (Isaías), naquela ocasião, disse que “estava conversando com Romário motorista sobre a questão de qualificação para conduzir ambulância, quando o Sr. André se envolveu na conversa e começou a discutir com ele onde proferiu palavras de baixo calão (xingamentos) e agrediu com dois tapas no ombro da vítima que até chegou a dar uns passos para trás”.Desqualificar o depoimento da testemunha Isaías, no caso, significa 
                                
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