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                                    Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 281-679, jan./jun. 2025598Assim, estamos tratando aqui do empoderamento de pessoas para que, independentemente do que outros, pervertidamente, pensem ou façam, elas não aceitem o preconceito e levem a sua vida entrando pela porta da frente. É esta a ideia que eu penso estar embutida nesta ação.Entendo, Presidente, que o nosso Tribunal, com todas as suas circunstâncias, tem prestado uma contribuição histórica relevante na proteção dos grupos vulneráveis. Citando de memória, nós tivemos uma importante decisão de proteção em relação ao preconceito contra judeus no julgamento do caso Ellwanger. Nós tivemos uma importante decisão na proteção dos gays no julgamento da ADPF 132. Nós tivemos pelo menos essa é a minha percepção - uma importante decisão protegendo as mulheres - sobretudo as mulheres pobres - com o direito de não serem tratadas como criminosas se precisarem interromper uma gestação. Muitos de nós têm se empenhado aqui no Tribunal para construir um direito penal mais igualitário, que não seja um direito penal que puna apenas pobres e pretos, como dizia o Doutor Daniel Sarmento da tribuna. Um direito penal igualitário que possa atingir quem viole a lei indistintamente e que possa alcançar, sobretudo, os grandes criminosos, que desviam grandes quantidades de dinheiros públicos. Nós acabamos prendendo as pessoas erradas e pelos motivos errados.Na ADPF nº 186 - sobre a qual falarei em seguida -, nós já tivemos uma primeira manifestação importante de proteção dos direitos dos negros. Hoje é o dia de darmos um passo à frente. Da primeira vez em que se cogitou de cotas raciais - há mais de 10 anos atrás - para cá, a percepção dessa questão modificou-se completamente. Em um primeiro momento, essa política era vista como uma mimetização do que se fazia no exterior e um equívoco que criaria - como disse o Doutor Adami, da tribuna - uma racialização e uma divisão na sociedade brasileira, o que verdadeiramente não aconteceu.Eu estive, um pouco antes de entrar para o Supremo, em uma banca de doutorado do Professor Adilson 
                                
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