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                                    Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 281-679, jan./jun. 2025600Brasil até outro dia: essa ideia do humanismo racial brasileiro de que aqui não há preconceito, de que o preconceito é puramente social. A percepção que dá razão à terceira corrente é mais recente.“A terceira posição é a de que é fora de dúvida que negros e pessoas de pele escura, em geral, enfrentam dificuldades e discriminações ao longo da vida, claramente decorrentes de aspectos ligados à aparência física. Uma posição inferior, que vem desde a escravidão e que foi potencializada por uma exclusão social renitente”.“Em relação aos que professam o primeiro ponto de vista - o do racismo assumido -, tudo o que se pode esperar é que um dia uma luz moral ou espiritual venha iluminá-los. Onde não há racionalidade, não há argumentos a oferecer”. “Já os que defendem o humanismo racial brasileiro, fundado na suposição de que aqui transcendemos a questão racial, acreditam sermos uma sociedade homogeneizada pela miscigenação. Todos são iguais, independentemente da cor da pele. Vale dizer: veem o que desejam e creem no que preferem, confundindo vontade com realidade. Para chegar a esta conclusão relativamente simples, basta olhar a quantidade irrisória de negros em postos de primeiro time no governo, nas empresas e nos escritórios de advocacia.Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ambiente acadêmico em que habito, a política de cotas sócio-econômicas e raciais tem produzido uma revolução profunda, silenciosa e emocionante. Um laboratório de inclusão social, onde jovens pobres e negros se superam para alcançar uma vida melhor. Um pouco melhor para eles próprios. Muito melhor para os seus filhos”.A política de cotas, sobretudo nas universidades, na verdade, é uma política que vai favorecer mesmo é a próxima geração. Por evidente, os beneficiários das cotas, muitas vezes, lutam com mais dificuldade, com mais esforço, mas eles vão ter um acesso que os seus pais não tiveram, e os seus filhos vão ser competitivos. Essa é, a meu ver, a grande finalidade da política de cotas.
                                
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