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Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 113-135, jan./jun. 2025127No caso Márcia Barbosa, entendeu a CIDH que os estereótipos de gênero foram utilizados para desvalorizar a pessoa de Márcia Barbosa e, por consequência, a narrativa foi direcionada a fim de garantir que Márcia Barbosa tivesse sido merecedora da violência sofrida.El hecho de que era una mujer representó un fator facilitador de que el significado de lo ocurrido se construy[era] sobre estereotipos culturales generales, en lugar de centrarse en el contexto de lo ocurrido y en los resultados objetivos que arroje la investigación(CIDH, 2024, p. 45).A investigação penal que deveria se ater ao investigado pela morte de Márcia Barbosa foi desviada para uma investigação sobre a vítima, sobre o seu comportamento e sua reputação numa clara violência enraizada culturalmente no papel de gênero. Nesse sentido, registra a sentença que durante o trâmite do processo penal o advogado de defesa de Aércio Lima fez juntar mais de cento e cinquenta páginas de artigos midiáticos que atentavam contra a integridade de Márcia Barbosa. E mais, durante a Sessão do Tribunal do Júri, o advogado de defesa referiu-se expressamente a Márcia Barbosa como prostituta e a Aércio Lima como pai de família, que deixou-se levar pelos encantos de uma jovem e que havia cometido um erro (CIDH, 2024).Conclui a CIDH, quanto à violência de gênero:[...] a la vista de todo lo anterior, el Tribunal concluye que la investigación y el processo penal por los hechos relacionados con el homicidio de Márcia Barbosa de Souza tuvieron um carácter discriminatorio por razón de género y no han sido conducidos con una perspectiva de género de acuerdo a las obligaciones especiales impuestas por la Convención de Belém do Pará. Por tanto, el Estado no adoptó medidas dirigidas a garantizar la igualdad material en el derecho de acceso a la justicia respecto de casos relacionados con violencia contra las mujeres, en perjuicio de los familiares de Márcia Barbosa de Souza. Esta situación implica que, en el presente caso, no se garantizó el derecho de acceso a la justicia sin discriminación, así como el derecho a la igualdad (CIDH, 2024, p. 46, grifo acrescido).

