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Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 681-828, jan./jun. 2025792Indagados, informaram que papel higiênico, sabonete e itens de higiene eram descontados, assim como EPIs, chegando a ser cobrado o valor de R$82,00 (oitenta e dois reais) por uma bota de borracha. Foram relatados empréstimos abusivos, tendo mais de um trabalhador dito que, que se pegassem em empréstimo a quantia de R$50,00 (cinquenta reais), era anotada a quantia de R$150,00.Foi encontrado no local um caderno de anotações dos descontos efetuados, podendo se observar que os trabalhares sempre estavam em dívida com o empregador, dívidas que chegavam ao valor de R$5.000,00. Os trabalhadores informaram que não tinham acesso pleno ao caderno, mas alguns informaram que o valor dívida constava em um pedaço de papel que lhes era entregue.Indagados, informaram que, se quisessem adquirir algo, o Sr. Jeconias comprava o item e o revendia preços elevados. Um trabalhador disse em depoimento que, quando pediu dinheiro, o Sr. Jeconais o indagou: “como você quer dinheiro, se você me deve?”.Foi constatado dos depoimentos e do caderno encontrado que a maior parte dos descontos se referia a drogas, cigarro e bebidas, vendidos a preços abusivos. Constam no caderno as referências a fumo e dose (de bebida). Além disso, há inúmeras referências diárias à palavra “gastos”, com valores uniformes, sendo que, confrontados tais valores com os valores de drogas indicados nos depoimentos, conclui-se tal palavra “gastos” era utilizada para se referir a drogas.O endividamento dos trabalhadores ocorria para alimentar seus vícios em bebida, drogas e cigarro. E, ao término dos depoimentos, percebeu-se que era esse esquema que os mantinha vinculados à fazenda”.No relatório também consta a apuração de agressões físicas e de ameaças infringidas aos trabalhadores, veja-se:“Os trabalhadores informaram que ambos os proprietários visitam a fazenda com constância, e que o Sr. Reinaldo sempre está armado, com arma à vista. Um dos trabalhadores relatou que, nas vezes

