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71Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 61-94, jan./jun. 2025No tocante ao critério de fixação da competência territorial, o processo do trabalho deve fazer valer uma seara acessível ao trabalhador, para discutir seus direitos e trazer à tona sua demanda, alimentada pelo postulado de maior acesso à justiça31.Neste quadrante, como enlace das relações sociais, imperioso resgatar o conceito de território. A compreensão do local da prestação de serviço revela-se uma premissa maleável, ingrediente de trato menos rígido, densificado numa sociedade de mobilidade intensa, com fluxo de trabalhos fugazes, ecoados mediante contatos telemáticos. As regras de fixação da competência trabalhista não podem ignorar a evolução social.3. DESTERRITORIALIZAÇÃO DO TRABALHO: POR UM NOVO CONCEITO DO LOCAL DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOA dinâmica dos processos de globalização promove um novo espectro das dimensões de espaço, intensificando a fluência de lugares diversos, fragilizando as fronteiras. A vida está imersa “[...] numa mobilidade constante, concreta e simbólica”32.A impressão é de que o mundo parece, mesmo, estar encolhido, com dimensões menos rígidas. As relações sociais fazem-se inseridas em um amplo contexto intensificado de redes a distância. A premissa integradora do território exige um olhar múltiplo e atento aos elementos de poder no espaço33.Territorializar significa criar mediações espaciais intensificadas, voltadas a um ambiente “[...] multiescalar e multidimensional, material e imaterial, de dominação e apropriação ao mesmo tempo”34.Percebida nas manifestações do espaço, a geografia do poder compreende a interação dos atores sociais, componentes de um conjunto rico e indissociável de um sistema de ações, imbuído de artificialidades35.31 SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 13. ed. São Paulo: LTr, 2018, p. 326; FAVA, Marcos Neves. Competência da Justiça do Trabalho. In: THOME, Candy Florencio; SCHWARZ, Rodrigo Garcia. Direito processual do trabalho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011, p. 6. 32 HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. 10. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2016, p. 20. 33 HAESBAERT. O mito da…, cit., p. 79. 34 HAESBAERT. O mito da…, cit., p. 97. 35 SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2006, p. 39.

