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                                    77Rev. Trib. Reg. Trab. 3ª Reg., Belo Horizonte, v. 71, n. 111, p. 61-94, jan./jun. 2025 5. ACESSO À JUSTIÇA E EVOLUÇÃO SOCIALO direito como ordem social busca, sem dúvida, eficácia (Wirksamkeit). A relação entre validade e efetividade promove uma compreensão concreta da verdadeira unidade normativa (Normengesamtheit). “As instituições são fatos sociais, que requerem, todavia, proposições normativas para descrevê-las”59.O ordenamento jurídico está baseado num horizonte empírico de relação entre pessoas (Verhältnis zwischen Menschen), tendo por base a conexão direta entre o fato à norma60. O cenário de descompasso entre o direito e a realidade promove grande prejuízo social, principalmente para os mais necessitados que não podem usufruir da norma reconhecida61. Os resultados da delonga na finalização da demanda podem ser assoladores para as partes, produzindo sofrimentos, sobretudo às economicamente mais fracas62.Com as conexões em rede, os projetos industriais se transformam e as práticas de vendas se alteram. O uso adequado da tecnologia ressignifica a construção da teia relacional entre clientes, fornecedores e organização empresarial. “O uso apropriado da internet converteu-se numa fonte fundamental de produtividade e competitividade para todo o tipo de empresas”63.O direito se liga a uma conjuntura social como instrumento de convivência, voltado ao bem comum (Gemeinwohl) e almeja realizar-se, por meio de dados antropológicos e fatores sociais - anthropologische Gegebenheiten und gesellschaftliche Faktoren64.O conteúdo jurídico não é determinado, apenas, por meio de indicação de propostas fechadas, evidenciadas na semântica normativa, mas, também, se faz constituído pelo postulado de justiça, cotejado por uma ponderação de interesses - Grundsätze der Gerechtigkeit, welche die Abwägung der vorgegebenen Interessen leiten65.59 “Institutionen sind soziale Fakten, bedürfen aber normativer Sätze zu ihrer Beschreibung”. SEELMANN, Kurt. Rechtsphilosophie. 4. Aufl. München: C.H.Beck, 2007, p. 51. 60 SEELMANN. Rechtsphilosophie…, cit., p. 51. 61 SILVA. Procedimento sumaríssimo…, cit., p. 21. 62 CAPPELLETTI; GARTH. Acesso à justiça…, cit., p. 20. 63 CASTELLS. A galáxia…, cit., p. 87. 64 VOLKMANN, Uwe. Rechtsphilosophie. München: C.H.Beck, 2007, p. 229. 65 ZIPPELIUS, Reinhold. Rechtsphilosophie. 5. Aufl. München: C.H.Beck, 2007, p. 34.
                                
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